Nissan GT-R Hakosuka KPGC10

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Quando falamos sobre carros esportivos japoneses é difícil pensar em algo mais rápido e mais tecnológico do que o Nissan GT-R, mas todos os atributos que o carro carrega hoje é o resultado da lapidação de uma máquina por cinquenta anos. E o carro no qual vamos abordar hoje, é primeiro a ostentar o distintivo GT-R conhecido como Hakosuka ou KPGC10.

Hoje GT-R é sinônimo de velocidade e toda essa áurea descende de um motor seis cilindros em linha que trabalhava em altos giros, com uma ótima capacidade de fazer curvas e com uma história no automobilismo muito vitoriosa.

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O primeiro Skyline a ser produzido era um carro sedan e luxuoso, e não pertencia a Nissan e sim a uma empresa chamada Prince Motor Company que começou a fabricá-los em 1957. Desde de então algumas variações do carro foram produzidas, até quem em 1966 a Prince se juntou ao grupo Nissan/Datsun. A Nissan decidiu dar continuidade a produção do Skyline e em outubro de 1968 eles apresentaram no salão de Tóquio a primeira geração do Skyline GT-R. A princípio o carro era oferecido apenas na carroceria sedan mas em 1971 a cupê duas portas com entre eixos mais curto foi apresentada.

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As letras GT-R significam Gran Turismo Racer, artificio que a Nissan usou para alavancar as vendas pois essas siglas estavam crescendo em popularidade no mercado ocidental. O termo Hakosuka origina-se do público e fãs do carro, que combinavam as palavras japonesas (Hako), que significa caixa junto a palavra (Suka) que é a pronúncia de Skyline em japonês, para dar ao modelo uma designação única.

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Alguns entusiastas comumente usam os códigos de chassis de fábrica que a Nissan usou para denominar seus projetos. Para a versão duas portas o código usado era PGC10 e para o cupê, o famosos KPGC10. Isso ajudava a diferenciar os modelos GT-R dos 2000 GT e GT-X, que visualmente eram parecidos mas em termos de performance se diferenciavam bastante.

Independente da forma que você queira chama-los, a Nissan criou o GT-R com o intuito de ganhar corridas, e tal esforço foi recompensado com incrível sucesso nas competições. Disputando corridas com Mazda Capella e Savana RX3, o GT-R conquistou muitas vitórias em um curto período de tempo, inclusive foram quase 50 vitórias consecutivas antes de o RX-3 quebrar essa incrível sequência na 49º vitória. Em 1972, o Hakosuka era reconhecido como um dos carros com maior dominância na história do automobilismo japonês, conquistando o status de lenda.

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Em 1973, o Hakosuka foi substituído pela segunda geração do GT-R, conhecido no Japão como Kenmeri. O termo é derivado de uma publicidade do modelo na época onde um casal de jovens chamados Ken e Mary dirigiam um GT-R por estradas secundárias no interior do Japão “essas histórias são no mínimo curiosas.”. Enquanto a segunda geração era equipada com o mesmo powertrain da Hakosuka, tinha uma carroceria reestilizada com estilo fastback e ligeiramente mais largo do que o seu antecessor, fazendo com que o peso aumentasse um pouco também.

Mas em 1973 devido a crise do petróleo que marcou a indústria automotiva ao redor do mundo, todas as fabricantes de carros procuravam por alternativas mais econômicas e assim a versão GT-R do Skyline foi retirada de linha. E apenas 16 anos depois em 1989 a sigla GT-R foi ressuscitada com a versão R32.

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Mecanicamente a Hakosuka era equipada com um seis cilindros em linha com muito fôlego para altas rotações. Instalado na dianteira o S20, tinha duplo comando de válvulas no cabeçote, quatro válvulas por cilindro, fluxo cruzado, câmara de combustão hemisférica e um trio de carburadores duplos.

O primeiro motor S20 foi produzido em 1968, e era originalmente desenvolvido pela Prince Motor Company. Ele era baseado no motor GR-8, um 2.0 litros de alta performance usado no R380, um carro de competição da marca que ajudou muito na credibilidade do GT-R como carro realmente esportivo. A relação entre os dois carros ficou clara quando a Nissan apresentou o primeiro GT-R ao lado de um R380 em Tóquio.

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A potencia era de 160 cv a 7000 rpm e 18,1 kgfm de torque a 5600 rpm, números muito expressivos para a época. Mas uma das melhores qualidades daquele motor era onde começava a faixa vermelha de giros lá na casa dos 7500 rpm. Ouvir esse carro rasgando as retas dos autódromos no Japão deve ter sido incrível!

Como dizem que potência sem controle não é nada, o carro também possuía um chassi muito bem construído com suspensão independente nas quatro rodas, o que ajudava em muito o seu desempenho nas pistas.

Na frente o carro contava com estrutura Mc-Pherson e na traseira um subframe montado com braços independentes arrastados. O conjunto lidava com uma carroceria super leve 1134 quilos, que permitia o carro contornar curvas tão bem quanto os carros esportivos europeus.

Na parte de transmissão o carro era equipado com um diferencial de deslizamento limitado, enquanto a direção usava sistema de rolamentos reciclantes. O sistema de freio contava com disco ventilado e pinça com pistão simples na dianteira e freios a tambor na traseira.

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A conclusão é que realmente a sigla GT-R tem um ótimo pedigree, sendo o Hakosuka o primeiro GT-R da história e contar com equipamentos às vezes raros hoje em dia em alguns carros como, comando de válvulas duplo no cabeçote e suspensão independente nas quatro rodas há 50 anos atrás, mostra que o foco em fazer o melhor do melhor para a Nissan começou desde seu primeiro GT-R.

Motor 2.0L aspirado, 6 cilindros em linha, DOHC 24 válvulas/ 160 cv @ 7000 rpm, 18,1 kgfm @ 5600 rpm.
Transmissão 5 velocidades manual.
Disposição 2 portas, 4 passageiros, motor dianteiro, tração traseira, cupê
C x L x A 440 x 166,5 x 137 cm
Entre eixo 257 cm
Peso 1134 kg
Peso/Potência 7,09 kg / cv
0-100 km/h — segundos
Vel. Máxima — km/h