Porsche 911 R

Porsche 911R um carro puro e simples, o 991 com a mais completa interpretação de um carro conectado ao condutor, ou melhor, em um 911R o foco está no piloto e não no condutor.

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O que normalmente espero de uma nova versão de um carro é que ela seja mais moderna claro, e ainda mais veloz. Mas se tratando de Porsche não posso e nem queria esperar por isso, o que realmente gostaria de encontrar é um carro como os antigos GT3 da geração 997, ou se puder ser ainda mais nostálgico os motores refrigerado a ar dos modelos 993. Na última atualização do 911 que foi lançada em 2012 que atende pelo código de 991, muitas raízes foram deixadas de lado e é aí que os puristas ficam louco. Com o 991 foi abandonado o motor Mezger derivado das competições, a direção hidráulica e o câmbio manual nas versões – Semi-Pista/Street-Legal – GT3 e GT3-RS.

 

E com a insistência dos apaixonados por Porsche, a mesma atendeu a seus pedidos e desenvolveram o 911R, um Porsche espartano com foco na condução, no manuseio de suas incríveis habilidades como um verdadeiro 911. Serão produzidas 991 unidades, do carro que é parte GT3 e parte GT3-RS, e a Porsche com isso quis mostrar que ainda sabe produzir carros com o DNA pelo qual ela é tão conhecida, carros para ser pilotados. Não que modelos com a assinatura GT não consigam trazer isso com eles e até mesmo o 911 Carrera que é um carro que pode ser usado no dia-a-dia, e tranquilamente levado a um track day no final de semana.

Sem modelos como Carrera, GT3 e GT3-RS o 911R não existiria, também não existiria uma intensa motivação por parte dos engenheiros motorsport em desenvolver esse novo modelo dos sonhos deles. Quando os engenheiros tiveram a oportunidade de desenvolver o 911 mais focado no condutor algumas diretrizes ficaram claras: o 911R deveria ser leve, responsivo e comunicativo e acima de tudo deveria ser divertido. A unica exigencia é que o modelo deveria ser desenvolvido pensando em usar tudo o que já tinha pronto na linha 911, sendo assim teria que ser usado componentes que já estavam nas prateleiras da fábrica em Stuttgart até então usados em toda a linha 991 até agora. E o resultado teria que ser um 911 com uma pilotagem única.
Os elementos que os engenheiros tinham que escolher em toda a linha 911 eram aqueles que pudessem proporcionar a condução mais pura possível, e também escolher componentes que pudessem ser removidos com o mesmo foco, então as mantas de isolamento acústico foram removidas junto ao câmbio PDK, tudo por um objetivo, não filtrar experiências.

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Vamos começar a dissecar esse Frankstein, o chassi foi emprestado do GT3 que trouxe junto com ele suspensão, freios e uma das melhores direções elétricas já vistas, indo mais adiante vieram os aderentes pneus Michelin Pilot Sport Cup 2 (245/35 R20 na frente e 305/30 R20 nas rodas traseiras), que na minha opinião foi a melhor escolha ao invés das rodas 21 polegadas na traseira usadas pelo GT3-RS. Os freios de série são os PCCB (Porsche Ceramic Composite Brakes) que param o carro com muita eficiência em qualquer velocidade e em qualquer condição seco ou molhado. Chegando a suspensão, ela tem a mesma configuração do GT3, mas com amortecedores e direção um pouco modificada para se adequar melhor as reduzidas cargas laterais sujeitas em uma condução nas ruas. Isso não significa que não podemos mais dar voltas em Nurburgring, significa apenas que sua suspensão não é tão focada em pista como no GT3.

Na rua o comportamento da suspensão é muito parecida com a presente no GT3, com uma pequena vantagem para o GT. Em curvas tem muita estabilidade e é firme como rocha. É nítido a sua habilidade com curvas entrando rapidamente e mantendo uma velocidade consistente no contorno e carregando muito bem para se ter uma boa velocidade de saída. O 911R tem o balanço correto entre aderência mecânica e aerodinâmica lhe proporcionando confiança para explorar os limites e mesmo assim estar em segurança em vias públicas. Equilibrado em terrenos desconhecidos o 911R lhe dá confiança entre uma curva e outra pela sua compostura.

O 911R empresta muito da carroceria do GT3, mas no lugar do spoiler dianteiro e o grande aerofólio traseiro ele empresta soluções mais amigáveis com poucas modificações do 911 Carrera junto com o difusor traseiro. Todos esses truques gera menos pressão aerodinâmica do que no GT3, mas mesmo assim o 911R continua equilibrado. E o resultado de menos pressão aerodinâmica é que o carro consequentemente tem menos arrasto e assim consegue atingir uma velocidade máxima maior do que GT3 e GT3-RS chegando a casa dos 320 km/h.

O 911R também é equipado com o capô e paralamas dianteiros em fibra de carbono, e também é equipado com o mesmo teto em magnésio presente no GT3-RS. Com isso o peso do carro é bem distribuído através da carroceria garantindo assim, um baixo centro de gravidade e consequentemente um melhor comportamento do chassi. De acordo com a Porsche há a possibilidade de se optar em não ter ar-condicionado e nem sistema de navegação chegando a pesar 1370kg. Isso significa 123kg mais leve que o já levíssimo GT3-RS.

Leve, com menos arrasto aerodinâmico o 911R tem um incrível desempenho em alta velocidade, toda essa velocidade é cortesia do seu irmão GT3-RS que emprestou o motor aspirado mais potente da Porsche. O girador motor 6 cilindros boxer de 4.0 litros e 500 cavalos de potência, enquanto a caixa de cambio com 6 marchas não é emprestada e nem compartilhada com nenhum outro Porsche. Baseado no câmbio manual presente no Carrera ele perdeu uma marcha, isso se deve a necessidade de um câmbio que suporte a potência e o torque do motor 4.0 e os abusos que se pode praticar com o pé esquerdo. Assim a mesma caixa que antes continha 7 marchas agora tem apenas seis, mas cada uma delas  maior e mais resistente –  mas tem relações um pouco mais longas.

Os amantes da Porsche conseguem até reconhecer o borbulhar do motor através do escapamento em titânio e saber que ele veio emprestado do GT3-RS, mas é um pouco diferente tem um tom um pouco mais bruto. Através do vidro e das vigias traseira em policarbonato e a parede corta fogo com menos material isolante se percebe uma presença única do motor que não se tem em nenhum outro Porsche, devida a pouca interferência entre o piloto e o motor. o barulho do câmbio e do volante aliviado também fica muito claro, sendo assim a bordo do 911R você se sente muito mais envolvido do que nos seus irmãos GT e ainda mais em relação ao Carrera. E essa é a ideia.

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Uma vez em movimento a conexão aumenta ainda mais. Muito disso é ouvido, o ronco grave do escapamento e o som de sucção quando a borboleta se abre, mas muitas de suas características são sentidas ao tato dá para sentir o carro vivo nas mãos. O motor começa entregar a sua potência suavemente de 5.000rpm até às 8.500rpm (são 300rpm a menos do que o GT3-RS pois a embreagem do cambio manual tem um diâmetro maior do que a PDK, limitando o motor a atingir mais rotações),  o 911R responde com suavidade com a potência controlada em cada uma das marchas. A Porsche declara que o modelo leva 3.7 segundos para atingir a marca dos 100 km/h.

O cronômetro desde o começo do projeto nunca foi seu objetivo, o 911R não se trata de números e sim de experiência. Consequentemente a Porsche preferiu equipa-lo apenas com o câmbio manual de 6 marchas. Mesmo sendo mais lento do que o PDK em uma pista, o câmbio manual é mais emocional e prazeroso do que um simples pressionar uma borboleta atrás do volante. E como todos os Porsches com câmbio manual, trocar de marchas rapidamente se torna a sua segunda melhor habilidade. Rápido, e comportamento dinâmico afiado, seu incrível motor mantém sua mente, mãos e seus pés alegremente envolvidos com a condução.

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Para aqueles que gostariam de ter novamente um 911 ainda mais esportivo é equipado com câmbio manual mas que não são tão habilidosos com o punta-taco, pressione o botão Sport no console e a eletrônica se encarrega de fazer o punta-taco para você nas reduções, sistema esse que já estava presente no Cayman GT4, tornando qualquer um em um rei do punta-taco. Esse truque é quase um tiro no pé em um carro que é focado no condutor, na verdade como já disse, focado no piloto.

Quando você não estiver apreciando toda as habilidades do carro em altas velocidades, tenha um momento para apreciar um pouco a qualidade do seu acabamento interno digno de um Porsche. Os designers claramente se divertiram, fazendo uma homenagem aos primeiros e r 911 e adicionando o acabamento com tecido xadrez no centro dos bancos em alusão ao modelo 911R original de 1967. Embora para não ficar um acabamento muito retrô há também muitos detalhes de acabamento em fibra de carbono pela cabine, e há uma plaqueta com o número de cada edição do carro no painel. O 911R é um carro muito especial por isso ele é quase inalcançável pois as suas 991 edições limitadas já foram todas vendidas antes mesma de serem todas fabricadas. Da mesma forma que o 918 Spyder o 911R é vendido ao preço de US$ 186.000, se tornando o 991 geração 1 (Para os fãs 991.1) um clássico antes mesmo de sair da fábrica.

Frustração pela indisponibilidade a parte, isso nos encoraja de ver o que a Porsche pode fazer ouvindo a opinião de seus consumidores. Não sei se a Porsche tem plano para fazer uma atualização, um carro novo na geração 991.2 obedecendo às diretrizes do projeto que viabilizou o 911R acredito eu que não. Embora agora eles já tenham uma boa caixa de câmbio de 6 marchas no catálogo. Até lá nós ficamos gratos e celebramos a existência do 911R.

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